Prémio Nobel
O Prémio Nobel foi instituído por Alfred Nobel, químico e industrial sueco, inventor da dinamite, em seu testamento. A primeira cerimónia de entrega dos prémios nos campos da literatura, física, química e fisiologia/medicina ocorreu no Conservatório Real de Estocolmo, em 1901. Os laureados são pessoas que fizeram pesquisas importantes, criaram técnicas pioneiras ou deram contribuições destacadas à sociedade. Os seus nomes são anunciados em Outubro pelos diferentes comités e instituições que realizam a escolha. A Fundação Nobel, entidade administradora dos fundos do prémio, com sede em Estocolmo, não está envolvida na selecção dos vencedores. Os prémios são entregues anualmente, no dia 10 de Dezembro, aniversário da morte do seu criador. Este consiste numa medalha de ouro, um diploma com a citação da condecoração e uma soma em dinheiro que varia de acordo com os rendimentos da Fundação Nobel, mas que ronda os 10 milhões de coroas suecas (mais de um milhão de euros). Inicialmente este tinha como objectivo permitir que as pessoas laureadas continuassem a trabalhar ou pesquisar, sem pressões financeiras.
Primeiro Português Galardoado
Após este breve introdução abrimos esta secção com a referência ao primeiro português galardoado com um Prémio Nobel: Egas Moniz, eminente médico, professor, político e investigador. Nascido em Avanca (Estarreja) em 29 de Novembro de 1874, foi galardoado com o Prémio Nobel da Medicina em 1949, como reconhecimento pelos trabalhos que desenvolveu na área da Neurologia, nomeadamente nos procedimentos da Angiografia cerebral e da Leucotomia frontal. Depois de uma vida dividida entre a carreira académica em Coimbra, Bordéus (França) e Lisboa, a carreira médica no Hospital de Santa Maria (Lisboa) e a vida política (entre 1903 e 1926 teve uma intensa actividade política, sendo deputado e Ministro dos Negócios Estrangeiros, retirando-se da política apenas aquando da instauração do Fascismo em Portugal), acabou por falecer em Lisboa, a 13 de Dezembro de 1955. Actualmente encontra-se aberta ao público a sua casa, transformada em Casa-Museu, que poderás visitar em: http://museuegasmoniz.cm-estarreja.pt/ Prémio Nobel da Medicina 2009Em 2009 foi atribuído o Prémio Nobel da Medicina a três investigadores norte-americanos, Elisabeth Helen Blackburn; Carol Greider e Jack W. Szostak pela descoberta da enzima telomerase e da forma de como os cromossomas são protegidos por telómeros. Estas descobertas podem vir a revelar–se extremamente úteis na luta contra o cancro e o envelhecimento. Os telómeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomas (podemos ver na imagem, os telómeros a branco, marcados nos cromossomas, a cinzento), sendo constituídos por DNA não codificante (intrões) e proteínas. A finalidade dos telómeros é, sobretudo, manter a estabilidade do cromossoma, protegendo-o da destruição. Para haver renovação celular, as células prestes a morrer duplicam-se, por um processo designado mitose, dando origem a células novas. Contudo, as células mais recentes vão tendo os telómeros mais curtos que as que lhes deram origem, chegando a um ponto em que, devido ao facto dos telómeros estarem tão curtos, as células não se conseguem duplicar, não havendo mais renovação celular. A partir daí, as células vão morrendo sem serem substituídas, contribuindo para a morte do organismo. Conclui-se que, a redução do tamanho dos telómeros é uma causa fundamental do envelhecimento. As nossas células possuem um gene inactivo, que pode produzir uma enzima, denominada "telomerase", que regenera o tamanho dos telómeros após uma duplicação celular. A enzima telomerase permitiria tornar assim, as nossas células imortais. Então, porque não activar o gene que produz essa enzima para todas as células do nosso organismo? Apesar das vantagens parecerem tentadoras, isto seria um erro tremendo: As células cancerígenas têm em 90% dos casos esta enzima activada (o que leva a que sejam "imortais"), sugerindo-se que a enzima telomerase é um factor que leva ao desenvolvimento das células cancerígenas e de mutações nestas. Caso o gene de produção de telomerase estivesse activado, haveria provavelmente, uma maior incidência de cancros nos indivíduos. Quem sabe este não é o primeiro passo para a cura de muitos dos cancros que actualmente matam milhões de pessoas em todo o mundo.
|
![]() Alfred Nobel - imagem retirada de www.imagebank.sweden.se
![]()
![]() Cromossomas com telómetros marcados a branco ![]() ![]() ![]() Elisabeth Helen Blackburn; Carol Greider e Jack W. Szostak http://asbestopluma.wordpress.com/
|





